Justiça manda arquivar representação da Associação de Cabos e Soldados contra o Deputado Estadual Major Araújo.


VERGONHA: 1.421 é o total de aprovados no concurso da PMGO mas somente 04 estão fazendo o curso.


ABSURDO: Com pouco efetivo Governador Marconi Perillo retira mais de 50 policiais da ruas para atender colégios militares.


Major Araújo diz que governo de Goiás conseguiu inviabilizar a CELG


Estado de Goiás se nega a passar ao site G1 da Globo informações detalhadas sobre o índice de violência.


Com protestos e reivindicações Cabo Senna, Major Araújo e Cabo Braga parabenizam a Polícia Militar de Goiás pelos seus 157 anos.


Entrevista: Major Araújo deputado estadual pelo PRP

O bolsa arma é uma medida extrema, mas que precisa ser adotada”

“A tendência é que nós sejamos a capital mais violenta do Brasil.“

“A Polícia Militar  é hoje uma instituição que é um exemplo de superação”, com essas palavras o deputado estadual Major Araújo (PRP) começa a responder a entrevista exclusiva ao Hora Extra. De acordo com o deputado, que faz parte da comissão de Segurança da casa, “Aqui, em Goiânia, ficou comum matar pessoas dentro de suas próprias casas, tamanha é a facilidade hoje de matar e roubar” e é por isso que apesar de sofre duras críticas sobre o chamado projeto “Bolsa arma” o parlamentar o defende: “Hoje o cidadão tem vivido à mercê da sorte, os que têm condições de investir em segurança privada, investem e se sentem seguro, mas, os que não têm, se sentem inseguros dentro de suas próprias residências”

Hora Extra- Para o Sr. como anda, hoje, a instituição Polícia Militar  em Goiás?
Major Araújo –  A Polícia Militar  é hoje uma instituição que é um exemplo de superação. Não é fácil realizar o serviço que a Polícia Militar  realiza e conseguir os resultados que consegue com  um efetivo defasado. O efetivo da PM, hoje, por exemplo, compreendem mais ou menos 11 mil policiais, destes 11 mil, nós temos uma quantidade enorme de policiais afastados, nós temos os policiais das bandas de músicas em torno de 350, o quadro de saúde mais 600 homens, enfim, sobra para trabalhar, efetivamente, na PM, em torno de 9 mil policiais e esses 9 mil tem atendido 246 municípios. Se nós fizermos uma conta simples de policiais por municípios vai dar uma quantidade irrisória  e em um momento de contenção de gastos  eles podem ser mandados embora e o que a gente pode esperar com isso? Aumento da violência, problemas e mais problemas e é o que nós temos assistido em Goiás. Mas o trabalho da PM é fantástico. É um exemplo de superação.

Hora Extra – Deputado, como o senhor analisa a decisão do STF em determinar a  retirada do Simve – Serviço de Interesse Militar Estadual – das ruas de  Goiás?  M.A – Graças a Deus que nós temos o Supremo Tribunal  Federal. A decisão foi totalmente acertada, a contratação de policiais temporários causa uma instabilidade e  como o vínculo deles com o Estado é muito precário eles podem ser mandados embora a qualquer momento numa contenção de despesas. A falta de efetivo é um dos maiores fatores que contribui para o aumento de violência, o mínimo que o Estado pode fazer é manter o efetivo trabalhando. A decisão do Supremo contribuiu muito para  Goiás no sentindo que a política adequada para a segurança pública seja o concurso público. Essa é a forma mais segura para atender com o mínimo de segurança pública o cidadão goiano.

Hora Extra- Como o senhor analisa o crescimento da violência em Goiás?
M.A - O problema é justamente essa omissão. Nós não temos aqui os investimentos adequados em relação a meios materiais, nós não temos  concurso público regular e deveríamos ter, para ir repondo o efetivo. Nosso efetivo é velho, tem se aposentado em demandas muito grandes e a cada ano nós estamos perdemos em torno de 700 policias a 1000 policiais  por ano. O último concurso foi para 1000 contratações,  formaram 700 e foram embora para a reserva  2000 policiais, então, nós não temos esse tipo de investimento e não temos investimentos, por exemplo, em material. Hoje, se um caixa eletrônico é estourado no interior, os policiais ficam refém dentro do próprio destacamento porque o armamento é incompatível para fazer frente ao armamento que os bandidos utilizam. E os veículos nem se fala. Então, hoje, a situação é muito desigual e tem que haver investimentos tanto em materiais quanto em concurso público. Isso seria o mínimo.

Hora Extra – Recentemente o Sr. Apresentou um projeto controverso que ficou conhecido como  “bolsa arma”. Qual o objetivo deste projeto?
M.A - O bolsa arma é uma medida extrema, mas que precisa ser adotada. Se o governo não tem conseguido atender minimamente a segurança pública é preciso fazer alguma coisa. Hoje o cidadão tem vivido à mercê da sorte, os que têm condições de investir em segurança privada, investem e se sentem seguro, mas, os que não têm, se sentem inseguros dentro de suas próprias residências.
Aqui, em Goiânia, ficou comum matar pessoas dentro de suas próprias casas, tamanha é a facilidade hoje de matar e roubar. Nós somos campeões de roubos de veículos proporcionalmente no Brasil. Tanto é que pra se fazer seguro aqui em Goiás é mais caro que se fazer em Brasília, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul. E esses fatores todos demonstram que nós precisamos de uma atitude mais fácil e barata que é pelo menos liberar a arma.
Na verdade, não é nem liberar, porque o estatuto do desarmamento já garante ao cidadão a utilização da arma desde que tire o porte estabelecendo critérios para esta retirada. O que nós queremos é que o governo incentive tanto a aquisição da arma como o treinamento e as condições para que a própria pessoa possa portar esta arma. Os  motivos que o cidadão tem para apresentar-se na Polícia Federal para a retirada do porte de arma ele tem de sobra. Goiânia é a capital onde a violência mais cresce no Brasil e o Estado de Goiás também. E a tendência é que nós sejamos a capital mais violenta do Brasil.

Hora Extra – o Sr, não acha que esse projeto pode aumentar o número de crimes?
M.A - Claro que não. Antes da entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento nós tínhamos aqui em Goiás 18 homicídios para cada 100 mil habitantes, depois da vigência do Estatuto, há 13 anos, esse número é de 44 homicídio para cada 100 mil  habitantes, então, uma medida que era para reduzir o índice de   violência aumentou e está comprovado que não foi uma medida efetiva.

Hora Extra – O que o Sr tem achado do atual governo Marconi?
M.A - Eu não consigo admitir o jeito que este atual governo tem atuado. Eu falo com relação às medidas que se têm adotado na Educação, na Segurança – que com as contratações temporárias adotou-se a forma mais barata e a forma mais barata não é a melhor saída –  na Saúde, as terceirizações que foram feitas, nós sabemos que os hospitais melhoraram, mas o atendimento piorou e não conseguiram atender toda a demanda como era antes e são milhões de pessoas aguardando uma vaga para cirurgia. O que nós mais recebemos aqui, no nosso gabinete, são pedidos de ajuda para cirurgias e até para consultas com especialistas. O Brasil não está preparado para as terceirizações, isso mostra uma promiscuidade do público e do privado que tem sido tratado agora na reforma eleitoral e Goiás tem ido à contra mão e eu vejo isso com muita preocupação.

Hora Extra – Em sua opinião, como a oposição vem caminhando na Assembleia?
M.A - A oposição ainda não é muito coesa, eu esperava que fosse melhor. Nós somos onze e eu esperava que esses onzes pudessem fazer um trabalho melhor juntos. Mas dentro do possível, as coisas têm sido feitas. Eu espero que até o final desta legislatura nós consigamos um nível de maturidade que leve pelo menos a união da oposição no sentido de fazer um debate democrático para auxiliar na construção de um Estado melhor.

Hora Extra – O Sr pretendia ir para o Rede Sustentabilidade. Se o registro sair, o Sr. Mudará de partido?
M.A – Eu tenho repensado isso porque eu fiquei em uma situação muito complicada quando o PRS estava para ser homologado e não foi.  Eu fiquei sem partido, então, hoje, eu tenho um compromisso com o PRP que abriu as portas e qualquer decisão que eu tomar tem que ser em comum acordo com o presidente.  Eu sou muito fiel com quem é fiel comigo, então, eu continuo pensando do mesmo jeito do PRS, acho que é um modelo diferente, vou acompanhar a Marina Silva porque, para mim, ela é a expressão política mais respeitada ou que  deveríamos respeitar e eu só farei qualquer mudança se ela estiver de acordo, do contrario eu permaneço no PRP.

Hora Extra – O Senhor vai apoiar alguém para a prefeitura de Goiânia? Quem?
M.A – Quem é político tem que se posicionar e eu vou apoiar sim algum candidato de oposição, mas ainda não sei qual. Nosso partido tem ensaiado o lançamento de uma candidatura própria e tem até um pré-candidato, ainda não tem nada definido, mas o certo é que vou apoiar alguém.